Quanto Custa 1 TB de Storage? Análise de TCO entre On-Prem, HCI e Nuvem

      Arthur Costas 10 min de leitura
      Quanto Custa 1 TB de Storage? Análise de TCO entre On-Prem, HCI e Nuvem

      Descubra o custo real de 1 TB de armazenamento. Uma análise FinOps rigorosa comparando CAPEX vs OPEX, custos ocultos de egress e o TCO de infraestruturas On-Prem, HCI e Nuvem.

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      No mundo corporativo moderno, a pergunta "quanto custa 1 TB de armazenamento?" é enganosamente simples. Para um engenheiro júnior, a resposta pode ser o preço de um HDD na Amazon ou a tarifa mensal do S3 Standard. Para um Especialista em FinOps e para o CFO, essa resposta é irrelevante sem contexto. O que importa não é o preço de etiqueta, mas o Custo Total de Propriedade (TCO) e o retorno sobre esse investimento (ROI).

      O armazenamento de dados deixou de ser uma commodity estática para se tornar um componente dinâmico da estrutura de capital da empresa. A decisão entre manter dados em infraestrutura local (On-Premises), adotar Infraestrutura Hiperconvergente (HCI) ou migrar para a Nuvem Pública não é apenas técnica; é uma decisão de fluxo de caixa, alocação de ativos e eficiência operacional.

      Neste artigo, vamos dissecar a economia do armazenamento, movendo-nos além do preço por Gigabyte para entender a verdadeira gravidade financeira dos seus dados.


      O Desafio do Custo: A Falácia do Preço de Etiqueta por GB

      A maior armadilha financeira na gestão de TI é a "Falácia do Preço de Etiqueta". Quando analisamos o custo de armazenamento na nuvem, por exemplo, é comum ver tarifas atraentes como $0,023/GB/mês. Imediatamente, faz-se uma conta de padaria: 1 TB custa $23,00.

      Entretanto, essa matemática ignora a Unit Economics (Economia Unitária) real da operação. O armazenamento não vive no vácuo; ele exige movimentação, proteção, gerenciamento e redundância.

      No modelo mental de FinOps, devemos tratar o armazenamento como um ativo que sofre depreciação ou como um serviço que consome margem bruta. A visibilidade é o primeiro passo para a otimização. Se você não consegue decompor o custo do seu Terabyte em componentes de hardware, software, energia, licenciamento e operações, você não está gerenciando custos; está apenas pagando faturas.

      Abaixo, visualizamos como o TCO se expande muito além do hardware físico ou da tarifa base:

      Fig. 1: Decomposição dos componentes de custo no TCO de armazenamento (3 anos). Figura: Fig. 1: Decomposição dos componentes de custo no TCO de armazenamento (3 anos).

      Como ilustrado na Fig. 1, o custo de aquisição do hardware (ou a tarifa base da nuvem) representa, muitas vezes, menos de 50% do custo real ao longo de um ciclo de 3 anos. O restante é consumido por manutenção, overhead operacional e custos indiretos de infraestrutura.


      Modelo de Custo Comparativo: CAPEX (On-Prem/HCI) vs OPEX (Public Cloud)

      A batalha entre On-Premises e Nuvem é, fundamentalmente, uma batalha entre modelos contábeis: CAPEX (Capital Expenditure) versus OPEX (Operational Expenditure). Entender onde sua organização prefere alocar capital é tão importante quanto a latência do disco.

      1. On-Premises Tradicional e HCI (Foco em CAPEX)

      No modelo On-Prem, você compra a capacidade antecipadamente. Isso exige um alto desembolso de capital inicial.

      • Over-provisioning (Sobreprovisionamento): Você não compra o armazenamento que precisa hoje; você compra o que acha que vai precisar daqui a 3 anos. Se você comprar 1 PB e usar apenas 200 TB no primeiro ano, o custo unitário efetivo desse TB utilizado é astronômico, pois você está pagando pela capacidade ociosa (energia, refrigeração e depreciação).

      • HCI (Hyper-Converged Infrastructure): A HCI tenta mitigar isso permitindo escalar em blocos menores (nós), linearizando o custo. No entanto, ainda exige investimento em hardware e licenças de software de virtualização (VMware vSAN, Nutanix, etc.), mantendo a característica de CAPEX e depreciação.

      2. Nuvem Pública (Foco em OPEX)

      A nuvem transforma o custo fixo em variável.

      • Elasticidade Financeira: Você paga pelo que usa. Se armazenar 1 TB, paga por 1 TB. O custo de entrada é zero.

      • O Risco do Longo Prazo: Embora evite o CAPEX, o modelo de aluguel perpétuo pode superar o custo de compra de hardware ao longo de 3 a 5 anos se a carga de trabalho for estática e previsível.

      Tabela Comparativa de Estrutura de Custos

      Componente de Custo On-Premises / Legacy SAN HCI (Hiperconvergência) Nuvem Pública (AWS/Azure/GCP)
      Modelo Financeiro CAPEX (Alto Upfront) CAPEX (Modular) + OPEX (Licenças) OPEX (Pay-as-you-go)
      Depreciação 3 a 5 anos 3 a 5 anos N/A (Despesa Operacional)
      Escalabilidade "Step Function" (Grandes saltos) Linear (Adição de Nós) Elástica (Instantânea)
      Ociosidade Alta (Paga-se pelo provisionado) Média (Menor over-provisioning) Baixa (Paga-se pelo usado*)
      Manutenção/Suporte Contratos anuais (15-20% do HW) Incluso na assinatura de SW Incluso na tarifa do serviço
      Power & Cooling Custo direto da empresa Custo direto da empresa Embutido na tarifa

      Nota: Na nuvem, paga-se pelo volume provisionado em Block Storage (EBS/Managed Disks), mas pelo usado em Object Storage (S3/Blob).


      Custos Ocultos e Variáveis: Egress, IOPS e API Requests

      Aqui é onde o orçamento sangra. A nuvem pública é projetada para facilitar a entrada de dados (Ingress é gratuito), mas taxar pesadamente a operação e a saída desses dados. Este é o conceito de Data Gravity: quanto mais dados você acumula, mais difícil e caro é movê-los.

      O Iceberg dos Custos de Nuvem

      Muitas empresas migram para a nuvem olhando apenas para o custo de armazenamento em repouso (Data at Rest). No entanto, aplicações modernas são "chatty" (conversadeiras). Elas leem, escrevem e listam arquivos constantemente.

      Fig. 2: O Iceberg dos custos de armazenamento: o que as faturas de nuvem pública muitas vezes ocultam. Figura: Fig. 2: O Iceberg dos custos de armazenamento: o que as faturas de nuvem pública muitas vezes ocultam.

      A Fig. 2 demonstra que as taxas de transferência e operações podem facilmente dobrar o TCO mensal de um bucket de armazenamento se a arquitetura não for otimizada para o modelo de precificação da nuvem.

      Os Três Vilões do OPEX

      1. Data Egress (Transferência de Saída): O custo para retirar dados da nuvem para a internet ou para outra região. Se você tem um Data Lake na nuvem que alimenta aplicações On-Prem, a fatura de Data Transfer Out pode superar o custo do armazenamento em si.

      2. API Requests (PUT, GET, LIST): Em Object Storage, cada interação custa frações de centavos. Parece pouco, mas para um Data Lake com bilhões de pequenos arquivos (ex: logs de IoT), o custo de requisições pode ser maior que o custo de capacidade.

        • Exemplo: Armazenar 1 TB em arquivos de 10 KB gera 100 milhões de arquivos. Listar ou mover esses arquivos gera milhões de chamadas de API cobráveis.
      3. IOPS e Throughput Provisionado: Em Block Storage (discos de VM), muitas vezes você paga separadamente pela velocidade. Um disco de 1 TB lento custa $X; um disco de 1 TB rápido pode custar $5X. O provisionamento excessivo de IOPS "apenas por segurança" é uma das maiores fontes de desperdício na nuvem.


      Estratégia de Otimização: Tiering, Deduplicação e Ciclo de Vida do Dado

      Para um profissional de FinOps, a otimização de custos não é um evento único, é um processo contínuo. A meta é reduzir o custo unitário sem degradar a performance necessária para o negócio.

      1. Intelligent Tiering e Lifecycle Policies (Nuvem)

      Dados têm temperatura. Dados "quentes" (acessados frequentemente) devem viver em armazenamento de alta performance e custo mais alto. Dados "frios" (backups, logs antigos) devem ser movidos para camadas de arquivamento (como AWS Glacier ou Azure Archive), onde o custo por GB é até 95% menor.

      • Ação FinOps: Implementar políticas de Lifecycle automáticas. Se um objeto não é acessado por 30 dias, mova para Infrequent Access. Se não for acessado por 90, mova para Archive.

      • Atenção: Cuidado com as taxas de recuperação. Armazenamento frio é barato para guardar, mas caro para ler.

      2. Deduplicação e Compressão (On-Prem/HCI)

      No mundo On-Prem e HCI, onde a capacidade física é finita, a eficiência de dados é rei. Tecnologias de deduplicação e compressão podem reduzir a pegada de dados em taxas de 3:1 a 5:1.

      • ROI: Se seu array All-Flash custa $100.000 por 100 TB, mas você consegue uma taxa de redução de 4:1, seu custo efetivo por TB cai drasticamente, tornando o TCO competitivo com a nuvem pública.

      3. Eliminação de Volumes Órfãos e Snapshots Antigos

      Um dos desperdícios mais comuns é o armazenamento "zumbi". Discos EBS desconectados de instâncias EC2 terminadas continuam sendo cobrados. Snapshots de backups de 3 anos atrás que não têm mais utilidade regulatória continuam gerando custos.

      • Governança: Tags obrigatórias e scripts de automação para identificar e deletar recursos não utilizados são essenciais.

      Calculadora de Economia: Metodologia para Calcular o ROI Real do Storage

      Para tomar uma decisão baseada em dados, você precisa construir uma calculadora de TCO personalizada para sua realidade. Não confie nas calculadoras genéricas dos vendedores de nuvem, pois elas tendem a favorecer seus próprios modelos.

      Utilize a seguinte estrutura lógica para sua análise de ROI:

      A Fórmula do Custo Efetivo por TB

      $$ \text{Custo Efetivo/TB} = \frac{\text{Custo Capacidade} + \text{Custo Operacional} + \text{Custo Transferência} + \text{Overhead Adm}}{\text{Capacidade Útil Real (após Dedup/Compressão)}} $$

      Passo a Passo para o Cálculo:

      1. Defina o Horizonte de Tempo: Utilize 3 ou 5 anos (ciclo típico de refresh de hardware).

      2. Normalize a Capacidade:

        • On-Prem: Considere a capacidade útil após RAID e overhead do sistema de arquivos. Aplique uma taxa de redução de dados conservadora (ex: 2:1).
        • Cloud: Considere apenas o que será consumido, mas adicione uma taxa de crescimento anual (CAGR) de dados (geralmente 20-30%).
      3. Adicione os Custos Ocultos:

        • Para nuvem, estime que as taxas de transferência e operações adicionarão entre 15% a 30% sobre o custo base de armazenamento, dependendo da carga de trabalho.
      4. Incorpore o Custo de Capital (WACC):

        • Dinheiro gasto hoje (CAPEX) vale mais do que dinheiro gasto ao longo do tempo (OPEX). Aplique a taxa de custo de capital da sua empresa para trazer os fluxos de caixa a Valor Presente Líquido (VPL).

      Veredito Técnico Financeira

      A otimização de custos de armazenamento não é sobre encontrar o disco mais barato. É sobre alinhar o tipo de armazenamento ao valor do dado. Dados de alto valor e alta frequência de acesso justificam Flash/SSD caros. Dados de baixo valor e conformidade devem ir para o armazenamento mais barato e lento possível.

      Seu papel como FinOps é garantir que a engenharia tenha a visibilidade desses custos para arquitetar sistemas que sejam eficientes desde o "Day 1". O ROI real surge quando o custo do armazenamento escala mais lentamente do que a receita gerada por esses dados.


      Referências

      • FinOps Foundation. FinOps Framework: Understanding Cloud Unit Economics. Disponível em: finops.org

      • AWS Whitepapers. AWS Storage Optimization: Cost Management Strategies.

      • Gartner. Magic Quadrant for Distributed File Systems and Object Storage.

      • Ben Thompson. Stratechery: The AWS Tax and the structure of Cloud Costs.

      #TCO de Storage #FinOps #Custos de Nuvem vs On-Prem #HCI Hyperconverged #Otimização de Custos de TI #CAPEX vs OPEX
      Arthur Costas
      Assinatura Técnica

      Arthur Costas

      Especialista em FinOps

      "Transformo infraestrutura em números. Meu foco é reduzir TCO, equilibrar CAPEX vs OPEX e garantir que cada centavo investido no datacenter traga ROI real."