Solidigm D5-P5336: O SSD de 122 TB que decretou o fim da era dos HDDs

      Mariana Costa 7 min de leitura
      Solidigm D5-P5336: O SSD de 122 TB que decretou o fim da era dos HDDs

      Com 122 TB em uma única unidade, o novo drive QLC da Solidigm reescreve as regras de densidade para IA e coloca os discos rígidos mecânicos em xeque.

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      Se você achava que o salto para SSDs de 4 TB ou 8 TB no seu setup doméstico era impressionante, a indústria de armazenamento corporativo acaba de redefinir o conceito de "grande". A Solidigm lançou oficialmente a nova capacidade de 122 TB para sua linha D5-P5336. Não é um erro de digitação. Estamos falando de cento e vinte e dois terabytes em um único dispositivo que cabe na palma da sua mão.

      Este lançamento não é apenas uma demonstração de força bruta de engenharia; é uma resposta direta e desesperada à infraestrutura de inteligência artificial que está engolindo energia e espaço físico em datacenters globais. Enquanto o mercado de consumo briga por velocidades sequenciais no PCIe 5.0, o verdadeiro campo de batalha no enterprise virou a densidade por watt.

      Resumo em 30 segundos

      • Densidade recorde: O Solidigm D5-P5336 atinge 122 TB em formato U.2, dobrando a capacidade do modelo anterior de 61.44 TB.
      • Matador de HDDs: Projetado para substituir arrays de discos mecânicos em cargas de leitura intensiva (Data Lakes, CDNs e treinamento de IA).
      • Eficiência energética: Oferece uma redução drástica no consumo de energia por terabyte, crucial para datacenters limitados por fornecimento elétrico.

      O gigante de 122 TB: densidade brutal em formato U.2

      A mágica por trás desse número absurdo reside na tecnologia QLC (Quad-Level Cell). Historicamente, entusiastas de hardware torciam o nariz para o QLC devido à menor durabilidade e velocidade de escrita comparado ao TLC ou MLC. No entanto, a Solidigm refinou o empilhamento de camadas 3D NAND para criar um drive que prioriza a leitura massiva de dados.

      O formato físico é o padrão U.2 (7mm ou 15mm), o mesmo tamanho de um SSD SATA de 2,5 polegadas que você conhece, mas com interface NVMe. Imagine consolidar um rack inteiro de HDDs antigos em uma única gaveta de servidor 1U ou 2U.

      💡 Dica Pro: Para quem tem Home Lab, drives U.2 corporativos usados são o "cheat code" definitivo. Eles custam uma fração do preço de SSDs M.2 de consumo e possuem capacitores de proteção contra perda de energia (PLP), algo raro em hardware gamer.

      A fome da IA: por que Data Lakes exigem essa escala agora

      Por que precisamos de um SSD de 122 TB? A resposta curta é: GPUs.

      A NVIDIA H100 ou a nova arquitetura Blackwell são bestas famintas. Se você alimenta essas GPUs com dados vindos de HDDs mecânicos, a latência se torna o gargalo. O processador gráfico de 30 mil dólares fica ocioso esperando o disco girar e a agulha buscar o dado. Isso é dinheiro queimado.

      Data Lakes modernos, que armazenam petabytes de vídeos, textos e imagens para treinamento de LLMs (Large Language Models), precisam de acesso quase instantâneo. O D5-P5336 oferece velocidades de leitura sequencial que saturam o barramento PCIe 4.0, garantindo que o "pipeline" de dados para a GPU esteja sempre cheio.

      A matemática do rack: 1 Petabyte na palma da mão

      Aqui é onde a contabilidade do datacenter fica interessante. O custo inicial de um SSD de 122 TB é, obviamente, astronômico comparado a um HDD de 22 TB. Mas o TCO (Custo Total de Propriedade) conta uma história diferente.

      Para armazenar 1 Petabyte (PB) de dados:

      1. Cenário HDD: Você precisaria de aproximadamente 50 HDDs de 20 TB. Isso ocupa cerca de 4U a 5U de espaço em rack, exige refrigeração pesada para dissipar o calor de 50 motores girando e consome centenas de watts.

      2. Cenário Solidigm 122 TB: Você precisa de apenas 8 drives. Isso cabe em uma fração de um servidor 1U.

      Fig. 1: A consolidação radical: 1 Petabyte de dados em HDDs vs. a nova densidade QLC da Solidigm. Fig. 1: A consolidação radical: 1 Petabyte de dados em HDDs vs. a nova densidade QLC da Solidigm.

      A redução no consumo de energia e refrigeração é tão drástica que empresas de hiperescala (como AWS, Azure e Google) estão dispostas a pagar o prêmio inicial pelo silício.

      ⚠️ Perigo: A densidade extrema traz um risco catastrófico único: o raio de explosão (blast radius). Se um único drive de 122 TB falhar, você perde uma quantidade obscena de dados. Em ambientes de produção, o uso de Erasure Coding (evolução do RAID) distribuído entre múltiplos nós é não apenas recomendado, é obrigatório. Não coloque um desses em RAID 0.

      O dilema do QLC: durabilidade infinita ou marketing inteligente?

      A principal crítica ao QLC é a durabilidade de escrita (TBW - Terabytes Written). O D5-P5336 não foi feito para ser um drive de cache de escrita ou para bancos de dados transacionais pesados (OLTP) que gravam o tempo todo.

      Ele é classificado para cargas de trabalho Read-Intensive. Pense em um serviço de streaming como a Netflix ou um repositório de arquivamento. Você grava o filme em 4K uma vez (Write Once) e milhões de usuários o assistem (Read Many).

      Comparativo: HDD Nearline vs. Solidigm D5-P5336

      Característica HDD Enterprise (22 TB) Solidigm D5-P5336 (122 TB) Vencedor
      Densidade Baixa Extrema SSD
      Consumo (Watts/TB) Alto Muito Baixo SSD
      IOPS de Leitura ~500 ~1.000.000+ SSD
      Custo por TB (Aquisição) Baixo ($15-$20/TB) Alto (Estimado $80+/TB) HDD
      Tempo de Reconstrução RAID Dias/Semanas Horas (mas exige CPU forte) SSD

      Adeus, discos mecânicos? O futuro do armazenamento nearline

      Estamos testemunhando o fim do HDD? Para o armazenamento "frio" (arquivos que você acessa uma vez por ano), o HDD e a fita magnética (LTO) ainda reinam soberanos pelo custo imbatível.

      Porém, para o armazenamento "morno" ou nearline (dados que precisam estar acessíveis rapidamente, mas não são o banco de dados principal), o HDD está com os dias contados. A Solidigm provou que é fisicamente possível entregar densidade superior à magnética usando silício.

      A barreira restante é puramente econômica. Assim que o custo da NAND QLC cair o suficiente para rivalizar com o custo de fabricação complexo de um HDD selado a hélio, a rotação dos pratos mecânicos cessará para sempre em servidores de alta performance.

      O veredito do mercado

      Não corra para tentar comprar um desses para o seu PC gamer; você provavelmente nem conseguiria resfriá-lo ou pagar por ele. Mas fique atento: a tecnologia de densidade QLC que permite 122 TB no enterprise hoje é a mesma que permitirá SSDs M.2 de 8 TB e 16 TB a preços acessíveis para consumidores nos próximos 2 a 3 anos. O precedente está aberto.

      Perguntas Frequentes

      1. Posso usar esse SSD no meu computador desktop? Tecnicamente, sim, se você tiver um adaptador U.2 para PCIe e espaço no gabinete. No entanto, esses drives são projetados para fluxo de ar constante de servidores. Sem ventoinhas potentes soprando diretamente sobre ele, o drive entrará em thermal throttling (redução de velocidade) rapidamente.

      2. O que acontece se o drive falhar? Devido ao tamanho massivo, a reconstrução dos dados (rebuild) em um array RAID tradicional seria lenta e estressante para os outros discos. Datacenters utilizam algoritmos de Erasure Coding que espalham pedaços dos dados por vários servidores, tornando a recuperação mais rápida e segura do que um RAID 5 ou 6 convencional.

      3. Qual é a interface de conexão? Ele utiliza PCIe 4.0 x4 com protocolo NVMe 1.4. Embora o PCIe 5.0 já exista, o foco aqui é capacidade e eficiência, não a velocidade máxima de transferência de um único arquivo.

      4. Quanto custa o modelo de 122 TB? A Solidigm não divulga preços públicos (list price) para este nível de produto, pois as vendas são feitas via contrato B2B. Estimativas de mercado colocam o preço na casa das dezenas de milhares de dólares por unidade.

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      Mariana Costa
      Assinatura Técnica

      Mariana Costa

      Repórter de Tecnologia (Newsroom)

      "Cubro o universo de TI corporativa com agilidade jornalística. Minha missão é traduzir o 'tech-speak' de datacenters e cloud em notícias diretas para sua tomada de decisão."